sábado, abril 02, 2011

O adeus a José Alencar (*17/10/1931 - +29/3/2011)

Rita Helena

O Vice-Presidente José Alencar falou várias vezes que ele não tinha medo da morte e sim da desonra e que a doença o tornou em uma pessoa mais humilde.

Esse foi um dos legados deixados por José Alencar, além da demonstração de fé e amor à vida.

Homem público querido por milhões de brasileiros, crítico contundente dos juros altos da política econômica do país, descansa em paz, após longo período de sofrimento, sem perder o bom humor, o otimismo e o eterno agradecimento a todos que rezaram e torceram pela sua recuperação e qui çá a cura.

Com ajuda da minha colega e amiga pude ter acesso a esse momento muito significativo ao cristão. A cerimônia do funeral e a Missa de Corpo Presente.

Pude sentir a emoção que cercou a cerimônia realizada com honras de Chefe de Estado, com a salva de 21 tiros, com o toque da corneta da Guarda Presidencial e com o aplauso dos presentes e da população que se encontrava na parte externa do Palácio. É uma cerimônia triste, mas muito bonita. Arrepiei dos pés à cabeça.

Tive o privilégio de participar da cerimônia religiosa, lendo a segunda leitura da Carta de São Paulo aos Conríntios ... Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão..., ou seja, os pecadores morrem como Adão e em Cristo todos reviverão.

O meu adeus foi coroado de saudade, admiração e certeza que de ele foi muito bem recebido por Deus.

terça-feira, março 29, 2011

José Alencar, "O cara"

Rita Helena

Tive o privilégio de ser servidora cedida à Vice-Presidência da República na gestão do Vice-Presidente José Alencar.

Não tinha acesso direto a ele, mas sempre tive admiração pelo cidadão José Alencar, empresário que acreditou na sua intuição e não teve medo nem vergonha de arriscar, encarar desafios e superá-los com o jeito mineiro de ser. Conseguiu construir um patrimônio empresarial, o grupo Coteminas.

Sempre muito gentil ao telefone, fazia questão de saber com quem estava falando e apesar de ser muito reservado, reconhecia e valorizava a equipe que lhe dava suporte técnico e administrativo.

É com muita emoção que presto essa homenagem ao empresário e político José Alencar. Um cidadão brasileiro que galgou o sucesso empresarial e político com honestidade, correção e otimismo.

Tinha, particularmente, admiração por ele quando ele falava dos juros altos, mesmo indo de encontro com as políticas econômicas do governo Lula.

Com a agravamento de sua doença pude pessoalmente presenciar a manifestação de solidariedade demonstrada por milhares de pessoas que torciam pela sua recuperação. Jovens, adolescentes, estudantes rezavam e mandavam sugestões de tratamento.

As correspondências chegavam por diversos meios, mas presenciei uma mensagem enviada em um guardanapo.

O que me emocionava muito era a lição que ele conseguia transmitir fosse respondendo as cartas, fosse pela imprensa, a sua determinação e fé na condução de seu tratamento de saúde.

Recebi muitas ligações das pessoas demonstrando emoção por ter recebido do Vice-Presidente José Alencar uma carta de agradecimento.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que o Vice-Presidente José Alencar se submeteu a cirurgia que durou dezesseis horas para a retirada de tumores no abdomen. Ele tinha recebido uma vela de sete dias, orações e imagens religiosas.

Meus colegas de trabalho e eu decidimos acendê-la e rezamos, diga-se de passagem, cada um com a sua religião e crença, suplicamos para que tudo transcorresse da melhor forma e que ele se restabelecesse o mais rápido possível. A vela ficou acesa o mesmo tempo que o Vice-Presidente ficou na UTI pós cirúrgica.

Eu, particularmente, achava que ele não deveria retornar ao trabalho como ele fazia. Achava que ele se expunha muito, mas quem conhecia muito bem e de perto o mineiro José Alencar, retrucava os meus comentários. Você não o conhece!!!

Um fato que muito me emocionou hoje foi quando cheguei em casa e minha filha Paula que reside em Manhatan Beach, Los Angeles, já tinha ligado para mim para falar da morte do Vice José Alencar e saber como eu estava.

Antes de retornar a ligação para ela entrei no Facebook e pude ver uma mensagem que ela havia deixado: "Descanse em paz José Alencar. Estou acendendo uma vela pra você."

Chorei copiosamente!!!!

Decidi que precisava escrever algo que fluísse de dentro do meu coração.

Não posso deixar de ressaltar a pessoa de D. Mariza, mulher de fé, companheira, o alicerce, o esteio de todas as horas e o Anjo da Guarda que Deus nomeou para acompanhar José Alencar.

Imagino que esse momento de dor vivenciado pela família seja muito sofrido e muito particular, merecedor de todo respeito.

Espero que José Alencar tenha ensinado aos políticos brasileiros que a missão com a população brasileira está acima de qualquer interesse pessoal.

Descanse em paz eminente Vice-Presidente da República José Alencar.

quarta-feira, março 09, 2011

Carnaval 2011, incêndio e determinação

Rita Helena
Jornalista


A história do Carnaval nos leva aos idos do século XI, ocasião em que a Igreja Católica implantou a Semana Santa, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma, que inicia a partir da Quarta-feira de Cinzas.

Como uma coisa leva a outra e a palavra Carnaval que vem do grego: “carnes” significa carne e “valles” significa prazeres e está relacionada com a ideia de usar a carne para os prazeres pela folia de três dias, ocasião em que as pessoas podiam se divertir pra valer, como se tudo fosse permitido, sem limites, sem pudor, ou seja, arrebentar a boca do balão.

Não à toa que as máscaras foram incorporadas aos bailes de Carnaval para não causar constrangimentos, permitindo mais liberdade aos foliões.

O tempo de Quaresma após o Carnaval, para muitos, é o momento de penitência, recolhimento, conversão para expurgar os pecados do ano anterior até o Carnaval.
Por isso, muitas coisas acontecem no Carnaval. As pessoas se excedem sem pensar nas conseqüências, aumentando segundo pesquisas o aumento da proliferação de doenças sexualmente transmitidas.

O consumo exagerado de álcool e de drogas traz resultados trágicos como a morte e acidentes de trânsito, deixando muitas pessoas paraplégicas.

O Carnaval é uma festa democrática em que as pessoas escolhem como comemorar os três dias de folia.

Na Bahia, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo a folia predomina e inicia sexta-feira e não encerra terça-feira como deveria, a exemplo da cidade de Salvador que hoje ainda arrasta muita gente no trio elétrico de despedida.

A tradição dos desfiles das escolas do samba do Rio de Janeiro faz com que as escolas trabalhem duro o ano todo com muita determinação, amor, garra e renúncia.

Os enredos e os sambas-enredos são escolhidos com a participação da comunidade, caracterizando assim mais comprometimento entre organizadores e comunidade.

A minha preferência sempre foi pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Gosto de assistir todas as concorrentes e admirar a criatividade e a mensagem que cada uma das escolas de samba transmite.

Esse ano um incêndio na Cidade do Samba, na cidade do Rio de Janeiro comprometeu três escolas de samba. A Grande Rio, a Ilha do Governador e a Portela.

A comissão organizadora dos desfiles das escolas de samba decidiu não julgar as três escolas acometidas pelo incêndio.

A apresentação de cada escola de samba transmite muita emoção, garra, paixão, causando muitos arrepios e delírios à plateia que assiste ao vivo, e aos telespectadores que assistem de casa.

As escolas de samba Grande Rio, Ilha do Governador e Portela não se abateram com o incêndio e conseguiram, em tempo recorde, recuperar muitas alas, carros alegóricos e fantasias, inclusive com a solidariedade de outras escolas de samba.

A apresentação de cada uma delas no Sambódromo foi motivo de muita reverência, aplausos e carinho de toda plateia.

Não há incêndio que desamine o fervor, a garra e a paixão de uma escola de samba, principalmente sem vítimas.

Essa lição serve para alertar que os incêndios ocorridos em nossas vidas são capazes de serem apagados com determinação, fé e garra.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O sistema de saúde brasileiro continua na UTI

Rita Helena
Jornalista


O serviço privado de saúde está falido tanto quanto o serviço público.

No serviço público de saúde a aplicabilidade dos recursos da população se dá por intermédio dos impostos pagos. Não se pode negar que há muito tempo a gestão da saúde pública está na UTI, em fase terminal.

A imprensa divulga insistentemente a precariedade e a falta de respeito com a população brasileira dependente do serviço público de saúde. Isso é um fato e deve ser amplamente mostrado.

Acho muito importante o serviço prestado pela imprensa, mas o serviço privado de saúde, também é precário, e o usuário deste, paga duplamente. Paga ao governo por meio dos impostos e para o plano de saúde privado para ter a ilusão que o atendimento será eficaz.

Quando se liga para uma clínica conveniada para marcar uma consulta, a primeira pergunta feita para o paciente é: “convênio? ou particular?” Se a resposta for convênio, coitado!!!! Vai esperar pelo menos uns dois meses para ser atendido. Quando a resposta é particular a atendente prontamente informa que vai estar anotando o nome e o telefone para estar tentando um horário.

Misericórdia!!!! Não tenho estômago para ouvir as pessoas utilizando o gerundismo, pensando que é a mesma coisa que se usar o verbo no gerúndio.

E quando se espera ansiosamente dois meses ou mais pela consulta e se recebe uma ligação telefônica informando que o médico viajou para participar de um congresso, e que a consulta será remarcada. Tenho certeza que isso já aconteceu com você ou com algum conhecido próximo.

Isso é só o começo, porque quando se procura um pronto-socorro, além de se aguardar para um atendimento de triagem, o paciente fica aguardando o médico-especialista retornar ao pronto-socorro, após longo tempo de ausência para atender chamados dos pacientes internados ou para participar de uma cirurgia de emergência.

O descaso das autoridades e dos órgãos fiscalizadores é vergonhoso.

A população deve continuar denunciando os fatos.

Logo, os dois sistemas de saúde do País estão na UTI. Por falar em UTI reze para não precisar de uma.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Rumo ao júbilo

Rita Helena

Aposentar é uma fase pela qual todos os servidores públicos passarão um dia.

É um tema polémico em que o Estado tenta a cada governo mudar as regras para dificultar a merecida e jubilosa aposentadoria das pessoas que trabalharam e contribuíram com os valores determinados para esse fim.

Quando iniciei a minha trajetória profissional e deparei com pessoas, que talvez tivessem a minha idade hoje, e, já podiam se aposentar, pensava que quando eu tivesse a idade delas não pensaria duas vezes em me aposentar. As coisas não são bem assim.

Quando se tem dezoito anos e encontramos pessoas com cinquenta anos ou mais achamos que essas pessoas são velhas. Já deram o que tinham que dar. Pura ignorância da mentalidade dos jovens que se sentem os poderosos e os melhores.

Quando percorrem a sua estrada podem comprovar que as dificuldades existem e que o caminho é longo, tortuoso e cheios de surpresas.

Hoje em dia, se alguém se refere a idoso com cinquenta anos eu me intrometo na conversa e discordo plenamente. Idoso só a partir dos oitenta anos. Ha! Ha! Ha!

Acho que o servidor público deve, se possível, se aposentar com saúde, para aproveitar o merecido descanso com sua família, que muitas vezes, ficou em segundo plano em detrimento das obrigações com o trabalho.

Agora, que jubilação soa melhor que aposentadoria isso não posso negar. Aposentar parece deixar algo de lado. Colocar à parte de forma pejorativa.

A pessoa ao se aposentar merece todos os júbilos e homenagens por toda uma vida de dedicação ao que se propôs realizar com ética, profissionalismo, orgulhando-se pelos resultados alcançados.

Quando chega a hora, sempre pinta alguma dúvida. Como será a minha rotina quando eu me aposentar?

Levando-se em conta que, ainda sou uma senhora jovem, bem disposta, e com uma bagagem de 33 anos de serviço público, sinto dificuldade de tomar uma atitude que não terá volta.

O que fazer depois? Virar dona-de-casa? Encher o saco da empregada? Reparar nos defeitos dos filhos, do marido e da cachorra? Ninguém vai me aguentar!!! Ficaria insuportável a convivência com a recém-aposentada.

Ou, o que seria pior? Despejariam em cima de mim outras mil atribuições por eu estar aposentada. "Mãe, você pode me levar ali?, você pode me buscar acolá?"

Tenho cunhadas e amigas que já estão aposentadas e elas vivem dizendo que não têm tempo para nada. O dia fica curto para tantos afazeres, que nem sempre foram realizados para elas.

Agora, se eu pudesse fazer o que a minha amiga super poderosa Florzinha está fazendo, aí seria muito bom. Viajar e viajar.... Eu ia me esbaldar, conhecendo as belezas desse nosso Brasilzão.

Mas, cá prá nós, ainda não dá para abandonar os filhos e o marido e saí viajando por aí, não.

Planejar a aposentadoria pesando os prós e os contras acredito ser ainda a melhor opção.